Ontem à noite (27 de março), recebemos os professores Bernardo Kocher e Paulo Hilu para um debate sobre as recentes insurreições ocorridas no norte da África e no OM. Foi uma excelente oportunidade para conhecermos um pouco mais sobre os países destas partes do mundo e constatarmos que as informações por nós recebidas são insuficientes para entendermos a dimensão dos problemas que lá ocorrem.
O professor Paulo Hilu fez um histórico a partir de 1952, época da ascensão do nasserismo no mundo árabe, até o início dos anos 2000. Neste caminho, pontuou o nascimento do socialismo árabe, com base na ideia do pan arabismo do presidente egípcio, as mudanças políticas ocorridas nos outros países de idioma e cultura árabe e o surgimento de dinatias políticas em alguns países daquela região. Depois, colocou algumas considerações sobre a política de segurança com base na força policial e teceu comentários sobre as insurreições ocorridas neste ano, especialmente no Egito, Líbia e Tunísia .
O professor Bernardo Kocher iniciou sua fala expondo a ideia de que estas insurreições fazem parte de um momento conjuntural na estrutura econômica do mundo. Os países árabes não estão inseridos na economia mundial e não dispõem de recursos suficientes para iniciar um programa nesta direção. Para manter o regime ditatorial e algumas conquistas sociais, com base em políticas populistas, procurou coibir as manifestações em favor da liberdade, que redundaram nas recentes insurreições. Segundo ele, tais revoltas tentam transformar os regimes repressivos em democracias. Assim, em um momento futuro, os países árabes estariam inclusos na democracia à " la ocidental" e poderiam participar de forma mais ativa na economia do mundo.
As perguntas versaram sobre o uso de redes sociais, as diferenças entre as culturas dos países árabes e, principalmente, sobre o que pode acontecer em cada um deles. As respostas foram norteadas pela prudência, mas todos concordaram que aquela região do mundo não mais será a mesma após estes episódios. Os profundos abalos na dinâmica política em tão curto espaço de tempo não terão retorno. Eles vieram para ficar e irão reposicionar o mundo, tanto na prática das dinastias políticas locais quanto nas ações das principais potências econômicas.
segunda-feira, 28 de março de 2011
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